Publicado a 5 de fevereiro de 2026

"THE ICE" St. Moritz: a paixão não fica na garagem

"THE ICE" St. Moritz: a paixão não fica na garagem

Há qualquer coisa de deliciosamente improvável em ver um Ferrari F50 na neve. A silhueta é familiar, o cenário nem por isso. Depois aparecem os Koenigsegg. E três Bugatti Bolide. A certa altura, percebemos que os critérios pelos quais normalmente avaliamos um fim de semana automóvel deixaram de servir.

St. Moritz tem esse efeito.

Durante os dias do THE ICE, a localidade suíça transforma-se num ponto de encontro para colecionadores, marcas e entusiastas de todo o mundo. Os automóveis ocupam as ruas e as entradas dos hotéis, as conversas prolongam-se ao frio e há sempre alguma coisa a justificar mais uma paragem. Mesmo para quem passa os dias entre carros especiais, é difícil chegar preparado.

Foi neste cenário que a Altamontra reuniu vinte clientes e amigos para viver de perto o universo Kimera. Uma viagem feita de condução, encontros e tempo bem passado, com os Alpes como pano de fundo e uma afinidade comum a dar sentido a tudo.

Uma chegada à altura

O Kempinski foi a nossa casa em St. Moritz. E, ainda antes do primeiro jantar, havia já um momento que dificilmente poderia ter sido mais apropriado: a entrega de um Kimera EVO37 ao seu novo proprietário, mesmo em frente ao hotel.

Receber um automóvel destes tem sempre um peso especial. Fazê-lo nos Alpes suíços, rodeado por quem partilha a mesma paixão, acrescenta-lhe uma memória que nenhuma lista de equipamento consegue descrever.

A Kimera foi a grande impulsionadora deste encontro. Com Luca Betti presente e cerca de dez exemplares reunidos por proprietários vindos de vários pontos da Europa, o ambiente tinha a proximidade de uma comunidade pequena. Entre eles estava também o nosso EVO37, a “Louisa”.

Enquanto representante da Kimera em Portugal, a Altamontra levou consigo um grupo que pôde conhecer essa comunidade por dentro. Estar perto de quem cria os carros, de quem os escolhe e de quem os conduz dá outra dimensão àquilo que normalmente se vê em fotografias.

O primeiro jantar aconteceu num restaurante local, em duas mesas compridas. Um ambiente familiar, com espaço para conversar e conhecer melhor quem nos acompanhava. Era o início de um ritmo que se manteve ao longo da viagem: dias preenchidos, almoços e jantares em grupo e muitas histórias para levar à mesa.

A manhã em que o gelo passou a fazer parte do programa

Na manhã seguinte, saímos em caravana em direção à pista de gelo. À nossa espera estava o novo Kimera EVO38 e a oportunidade de conduzir o “Louisa” num contexto muito diferente daquele a que estávamos habituados.

Há automóveis que despertam curiosidade quando estão parados. Um Kimera deixa-nos, sobretudo, com vontade de saber o que acontece a seguir.

Passámos a manhã a experimentar o EVO38 e a conduzir o nosso EVO37. O gelo acrescentava uma variável a cada movimento e dava à experiência uma intensidade própria. A atenção ao volante, a leitura da superfície e as reações do carro passavam a ocupar todo o espaço.

O enquadramento fazia o resto. O frio, a luz de inverno e a presença de outros Kimeras tornavam aquela manhã difícil de reproduzir. Para o grupo português, era uma oportunidade rara de viver a marca através daquilo que lhe dá sentido: os carros em movimento e as pessoas à sua volta.

Quando chegou a altura de seguir para o THE ICE, o dia já tinha matéria suficiente para uma longa conversa ao jantar. Ainda estávamos a meio.

O concurso de elegância que põe os carros a andar

O nome THE I.C.E. corresponde a The International Concours of Elegance. O palco é o lago gelado de St. Moritz, onde o concurso reúne automóveis de coleção num programa que inclui exposição, avaliação por um júri e sessões de condução sobre o gelo.

A ideia tem uma força imediata. Carros que habitualmente vemos em museus, coleções privadas ou sobre a relva cuidadosamente aparada de um concurso de elegância surgem aqui rodeados de neve, com espaço para mostrar outra parte da sua personalidade.

Ao longo dos dois dias, tivemos acesso às zonas VIP e pudemos acompanhar o evento com tempo para apreciar os carros, o ambiente e a dimensão do encontro. Milhares de pessoas enchiam o recinto. Nas ruas, a mesma energia prolongava-se entre hotéis, restaurantes e sucessivas ativações de marcas.

O sol acompanhou-nos, embora as temperaturas fizessem questão de lembrar onde estávamos. St. Moritz apresentava-se cuidada ao pormenor, com uma elegância que se estendia dos edifícios à forma como as pessoas se vestiam para enfrentar o inverno. Os agasalhos eram indispensáveis. O sentido de ocasião também estava bem presente.

Entre tantos automóveis, algumas imagens ficaram particularmente gravadas: um Ferrari F50 naquele cenário branco, os Koenigsegg e os três Bugatti Bolide a andar sobre o lago gelado. Basta pensar no propósito para que um Bolide foi concebido para perceber o carácter extraordinário da imagem.

É esse o poder do THE ICE. Dar-nos a possibilidade de voltar a olhar com espanto para carros que julgávamos conhecer.

Rumo ao Bernina

O terceiro dia começou cedo, com o grupo novamente reunido em caravana, desta vez em direção ao Bernina Pass.

Depois da intensidade do evento, a estrada e a paisagem alpina deram outro ritmo à manhã. Havia tempo para acompanhar o percurso, observar as montanhas e apreciar a presença dos carros naquele enquadramento.

Uma viagem destas ganha muito nesses intervalos. O caminho entre dois lugares, a saída em grupo e a expectativa da próxima paragem acabam por ocupar um espaço importante na memória. O programa leva-nos até lá; a experiência constrói-se também pelo meio.

À tarde, regressámos ao THE ICE. Voltar permitiu olhar com mais atenção, reconhecer alguns dos carros e absorver detalhes que a primeira visita, com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo, facilmente deixava escapar.

O que trouxemos connosco

Entre a entrega de um EVO37 à porta do Kempinski, a manhã de condução no gelo, a passagem pelo Bernina e os dois dias no THE ICE, houve muitos motivos para esta viagem ficar connosco.

Mas as mesas compridas do primeiro jantar ajudam a explicar o resultado tão bem como qualquer fotografia dos carros.

Ao longo dos dias, vinte clientes e amigos partilharam refeições, percursos e descobertas. A paixão pelos automóveis facilitou as primeiras conversas. O tempo passado em conjunto fez o resto.

Para a Altamontra, St. Moritz mostrou o valor de criar estas oportunidades: reunir um grupo pequeno, abrir a porta a um universo especial e dar-lhe tempo para o viver.

Regressámos com fotografias, histórias e vontade de voltar a fazer as malas. Haverá outros destinos e novas experiências, pensadas com o mesmo cuidado e para um número muito limitado de participantes.

St. Moritz fica como uma memória especial. E como uma boa razão para continuarmos a procurar a próxima estrada.

St. Moritz, janeiro de 2026