Mesmo em frente à reta de partida, é difícil manter os olhos numa única direção. Há um carro a preparar-se para subir, outro que acaba de despertar a curiosidade de quem passa e uma conversa que merece continuar. Durante três dias, foi esse o ritmo do nosso espaço no Caramulo Motorfestival.
Entre 4 e 6 de setembro, a serra voltou a receber um encontro que aproxima a competição, o património e a cultura automóvel. Na sua 21.ª edição, o festival manteve a Rampa Histórica como um dos grandes centros de ação, acompanhada por exposições, concentrações e passeios.
A Altamontra regressou com uma seleção inteiramente dedicada às duas marcas que representa em Portugal: Kimera e Dallara. Sete automóveis com personalidades distintas, reunidos para dar a conhecer o trabalho de dois construtores que colocam a experiência de condução no centro dos seus projetos.
Um lugar para parar
A localização ajudava. Num dos espaços mais centrais do festival, diante da reta de partida, tínhamos uma perspetiva privilegiada sobre o movimento do recinto e a preparação das subidas.
À zona de exposição juntava-se um lounge onde fomos recebendo clientes e amigos. Ao longo do fim de semana, o espaço tornou-se ponto de encontro, lugar para apreciar os carros com tempo e para partilhar impressões sobre o que ia acontecendo na serra.
A escolha de dedicar toda a presença à Kimera e à Dallara foi deliberada. Queríamos reforçar o conhecimento das duas marcas em Portugal e permitir que o público compreendesse melhor as suas propostas, através do contacto direto com os automóveis.
No Caramulo, havia tempo e contexto para o fazer. Entre uma subida e a seguinte, surgiam perguntas, descobriam-se pormenores e voltava-se a olhar.

De Villa d'Este à serra do Caramulo
A estreia nacional dos Kimera K39 e K39 Pikes Peak foi um dos grandes motivos de interesse no nosso espaço.
Depois da apresentação no Lago de Como e das fotografias e vídeos que rapidamente inundaram as redes sociais, muitos visitantes chegavam com uma expectativa muito concreta: vê-los finalmente ao vivo.
Os dois exemplares permaneceram em exposição durante os três dias, permitindo observar de perto as proporções, os materiais e o desenho. O K39 convidava a acompanhar as linhas da carroçaria; a versão Pikes Peak exigia espaço para perceber a dimensão do conjunto.
A enorme asa traseira, as superfícies aerodinâmicas e a presença do Pikes Peak explicavam boa parte da curiosidade. É um daqueles automóveis que levam a dar uma volta completa à sua volta. Depois, quase inevitavelmente, outra.
Trazer estes projetos para Portugal significava tornar acessível uma experiência que muitos conheciam apenas através de um ecrã. Para quem acompanhava a evolução da Kimera, era uma oportunidade de confrontar a imagem com a realidade e descobrir tudo aquilo que uma fotografia não mostra.
Ao lado dos K39 estavam dois exemplares particularmente próximos da Altamontra: o EVO37 “Louisa” e o EVO37 “Martini7”. Juntos, os quatro carros permitiam apreciar diferentes momentos e interpretações do percurso da marca.

Dallara stradale: uma presença cada vez mais reconhecida
A Dallara esteve representada por dois Stradale e um EXP, dando ao público a possibilidade de conhecer três exemplares e observar as diferenças entre eles.
Desde a apresentação no Gathering Supercars, tínhamos vindo a sentir uma evolução no conhecimento da marca em Portugal. No Caramulo, essa mudança tornou-se especialmente evidente.
Havia mais visitantes a reconhecer o Stradale, a identificar a marca e a chegar com perguntas sobre o carro. A curiosidade inicial começava a transformar-se em familiaridade, um sinal encorajador do trabalho que temos vindo a desenvolver.

Num evento com públicos tão diferentes, essa descoberta acontece de várias formas. Há quem se detenha nos detalhes de construção, quem procure compreender a experiência ao volante e quem se aproxime simplesmente porque o carro lhe prendeu o olhar.
Todos esses primeiros contactos têm valor. E a presença dos automóveis durante três dias permitia que cada pessoa os descobrisse ao seu ritmo.

Quando chegava a vez de subir
O nosso programa estendia-se também à rampa.
O nosso Kimera EVO37 “Louisa” e um Dallara Stradale participaram nas subidas e nos co-drives, conduzidos pelos pilotos Luís Tavares e Pedro Salvador, que nos acompanharam ao longo do fim de semana.
Vê-los sair do espaço de exposição e seguir para a partida acrescentava outra dimensão à presença das duas marcas. O que, momentos antes, podia ser observado ao pormenor passava a ser apreciado em movimento, com o som e as reações do carro a completarem a experiência.

Para quem ocupava o lugar do passageiro, os co-drives ofereciam uma perspetiva ainda mais próxima. A rampa deixava de ser apenas um traçado acompanhado do lado de fora para passar a ser vivida dentro do automóvel, com um piloto ao volante.
A localização do nosso espaço mantinha-nos perto dessa energia. Entre os carros expostos e os que participavam nas subidas, havia sempre um motivo para ficar mais um pouco.

A paixão que enche a serra
Foram três dias intensos, acompanhados por bom tempo, visitas de clientes e amigos e muitas conversas em torno dos automóveis.
Na nossa experiência, esta foi uma das edições em que mais sentimos a afluência do público. O movimento constante e o entusiasmo de quem nos visitava reforçaram uma convicção: existe em Portugal uma paixão automóvel forte, curiosa e com vontade de descobrir.

Regressámos do Caramulo com a satisfação de ter partilhado duas estreias nacionais, acompanhado o interesse crescente pela Dallara e colocado os nossos carros em ação com dois pilotos de referência.
Ficaram também os reencontros, as perguntas e o tempo passado junto de quem nos acompanha. Memórias de um fim de semana em que o nosso espaço teve sete protagonistas e muitas pessoas a dar-lhes vida.



