Publicado a 17 de outubro de 2026

Altamontra no AutoClássico: o bom gosto também faz barulho

Altamontra no AutoClássico: o bom gosto também faz barulho

A Altamontra levou ao AutoClássico dois espaços, duas perspetivas sobre o automóvel e vários argumentos para desconfiar de escolhas demasiado sensatas.

Um dos espaços foi dedicado exclusivamente à Dallara e à Kimera. O Dallara Stradale e os Kimera EVO37 “Louisa” e “Martini” trouxeram duas interpretações muito próprias da cultura automóvel italiana: a procura pela leveza e a memória dos ralis, trabalhadas com uma obsessão pelo detalhe que dificilmente cabe numa folha de especificações.

O segundo espaço revelou uma pequena parte da coleção Altamontra. Entre os Ferrari F355 Spider e 458 Speciale, os Porsche 930 Turbo e 911 GT3 RS 4.0 da geração 997, havia diferentes épocas e temperamentos para alimentar uma conversa longa. O Mercedes-Benz 280 SE Cabriolet acrescentava outra cadência: há automóveis que parecem recordar-nos que chegar bem pode ser tão interessante como chegar depressa.

E depois havia o Fiat 600 Multipla. Porque uma coleção com personalidade também deve dar espaço a um pequeno italiano capaz de disputar atenções com máquinas de pedigree bastante mais intimidante. O carisma nunca respeitou tabelas de preços.

Reunir estes automóveis exige um olhar que vai além do emblema. Interessa-nos a configuração, o desenho, a história e a forma como cada exemplar acrescenta algo ao conjunto. Uma boa coleção revela o gosto de quem a constrói. Tem coerência, mas também deve guardar algumas surpresas.

A nossa presença estendeu-se ao Concurso de Elegância Exclusive Top Cars e ao Concurso de Elegância Clássicos. Dois contextos que convidam a abrandar e observar. Uma proporção pode definir uma época.

É precisamente essa dimensão humana que nos interessa. O conhecimento que circula, as opiniões que dificilmente chegam a consenso e as histórias que começam com «o meu pai tinha um». A cultura automóvel vive tanto destes encontros como dos próprios automóveis.

Obrigado a todos os que passaram pelos nossos espaços, fizeram perguntas, partilharam memórias ou ficaram simplesmente a olhar. Compreendemos perfeitamente. Também nos acontece.

O tempo esquece quase tudo. Nunca esquece quem teve critério.