Publicado a 20 de maio de 2026

Concorso d'Eleganza Villa d'Este 2026

Concorso d'Eleganza Villa d'Este 2026

Villa d’Este: a história ganhou um novo capítulo

Dois dias nas margens do Lago de Como, entre alguns dos automóveis mais icónicos do mundo e a estreia mais ambiciosa da Kimera. A Altamontra esteve presente num momento especial para a marca que representa em Portugal.

Durante o fim de semana do Concorso d’Eleganza Villa d’Este, escolher para onde olhar torna-se um exercício particularmente difícil. Há o lago, as villas, os jardins. E depois há os automóveis, capazes de interromper uma conversa a meio de uma frase.

Nesta zona de Itália, a beleza faz parte da paisagem. Mas, por alguns dias, até o Lago de Como encontra concorrência à altura.

Foi neste cenário que uma pequena equipa da Altamontra, acompanhada por um grupo muito limitado de clientes e amigos, passou dois dias a acompanhar o concurso, a visitar Villa Erba e a assistir à apresentação dos novos Kimera K39. Uma viagem com muito para descobrir e uma estreia que lhe deu um significado especial.

Um museu com as portas abertas

Com origens em 1929, o Concorso d’Eleganza Villa d’Este ocupa um lugar de referência na cultura automóvel. A sua importância construiu-se através dos carros que reúne, da exigência da seleção e da forma como celebra o desenho, a história e o trabalho artesanal de diferentes épocas. (concorsodeleganzavilladeste.com)

Aqui, observar um automóvel implica olhar para além da sua raridade. Importam as proporções, a carroçaria, os materiais, as soluções encontradas por quem o desenhou. Importa também a história que transporta: quem o encomendou, para que foi construído e como chegou até ao presente.

Mas o efeito do concurso ultrapassa os seus recintos. As ruas, os acessos aos hotéis e os percursos junto à água tornam-se parte de um verdadeiro museu automóvel ao ar livre. O olhar mantém-se atento mesmo depois de sair do evento. Uma entrada de hotel pode justificar uma paragem; o som de um motor pode mudar os planos dos minutos seguintes.

É uma concentração rara de automóveis e de conhecimento. Colecionadores, designers, construtores e entusiastas encontram-se num lugar onde há tempo, e motivos, para apreciar um detalhe.

Para nós, havia ainda uma razão muito concreta para estar ali: acompanhar a Kimera num dos momentos mais importantes da sua história.

Uma mudança de cenário, a mesma expectativa

A apresentação dos novos K39 estava inicialmente prevista para um espaço exterior. As condições meteorológicas obrigaram a uma mudança de última hora, e o Sheraton Lake Como Hotel recebeu a revelação.

O tempo tinha alterado o local. A expectativa manteve-se intacta.

A apresentação teve uma construção cinematográfica, à altura do que estava prestes a ser mostrado. A presença de Luca Betti e Christian von Koenigsegg acrescentava-lhe um peso evidente: os dois estavam ali para apresentar os carros e explicar a colaboração que tornara possível uma das maiores novidades do projeto.

Quando os K39 foram revelados, a reação foi imediata. O desenho do K39 de estrada prendia o olhar, as proporções da versão Pikes Peak exigiam que se desse um passo atrás para as compreender.

Há carros que parecem maiores em fotografia. Neste caso, ver a versão Pikes Peak ao vivo ajudava a perceber tudo aquilo que uma imagem deixa de fora. A dimensão dos elementos aerodinâmicos e a presença do conjunto davam-lhe uma intensidade difícil de transmitir num ecrã.

Ainda assim, os ecrãs rapidamente se encheram. Fotografias e vídeos começaram a circular, levando para fora daquela sala uma revelação que tínhamos acabado de acompanhar de perto.

Itália e Suécia, no mesmo projeto

A parceria com a Koenigsegg é central para compreender a ambição do K39. A Kimera anuncia um V8 biturbo desenvolvido pela marca sueca especificamente para o projeto, com 1.000 cv e 1.200 Nm de binário. (kimera-automobili.com)

São números que merecem atenção. Mas ouvir Luca Betti e Christian von Koenigsegg falar sobre o trabalho conjunto permitia perceber também a dimensão humana da colaboração: o entusiasmo de dois criadores ao ver uma ideia ganhar forma.

Para a Kimera, o K39 abre caminho a uma nova escala de projeto. Depois dos EVO37 e EVO38, tão ligados ao mundo dos ralis, o novo modelo procura referências nas máquinas de resistência dos anos 1980 e desenvolve uma identidade própria nesse território.

A versão destinada a Pikes Peak torna essa intenção ainda mais expressiva. Concebida para enfrentar um dos cenários mais exigentes do automobilismo, apresenta soluções aerodinâmicas específicas que explicam a sua aparência radical. Há uma função por trás daquele impacto visual, VENCER PIKES PEAK.

Assistir à apresentação das duas versões, com os responsáveis pelo projeto presentes, deu-nos uma perspetiva privilegiada sobre esse passo. Para quem acompanha a Kimera e a representa em Portugal, era um momento de particular satisfação.

Da revelação ao reconhecimento

O fim de semana trouxe ainda uma distinção importante: o K39 foi galardoado com o Concorso d’Eleganza Design Award for Concept Cars & Prototypes, atribuído por votação do público.

Num encontro onde o desenho automóvel é observado com tamanha atenção, o reconhecimento tinha um significado especial. A reação que tínhamos sentido na apresentação encontrava agora voz no próprio concurso.

Ver uma criação acabada de revelar conquistar esse lugar, num ambiente com tantas referências históricas à sua volta, tornou a estreia ainda mais memorável.

Ao longo dos dois dias, as visitas a Villa d’Este e Villa Erba deram-nos também tempo para apreciar o contexto em que tudo isto acontecia. É essa proximidade entre épocas que torna o concurso tão interessante: olhar para soluções que marcaram o passado e, pouco depois, encontrar uma proposta que pretende deixar a sua marca no futuro.

O lago, a Kimera e as pessoas

A Kimera tinha o seu próprio espaço no Hotel Villa Flori. Com o lago como pano de fundo, era um ponto de encontro à altura da ocasião e um lugar onde a experiência podia continuar a um ritmo mais tranquilo.

Esses momentos tiveram um significado particular para o nosso grupo. Muitos de nós já nos conhecíamos de outros eventos e de outras viagens. Reencontrarmo-nos em Como permitiu retomar conversas, partilhar impressões e reforçar relações que se foram construindo ao longo do tempo.

A familiaridade dava outra dimensão ao programa. Entre a apresentação, o concurso e os encontros junto ao lago, havia a satisfação simples de viver tudo aquilo com pessoas que compreendiam o entusiasmo.

Foi assim que regressámos de Villa d’Este: com a memória de um dos grandes encontros da cultura automóvel e a sensação de termos acompanhado um momento decisivo para a Kimera.

Nas margens de um lago onde se celebra há quase um século a beleza do automóvel, vimos nascer uma nova proposta para o seu futuro. E tivemos o privilégio de a conhecer entre amigos.