Published on 25 November 2025

O nosso “Louisa”, o melhor do ano para a Top Gear

O nosso “Louisa”, o melhor do ano para a Top Gear

Ao final do dia, as boxes do Autódromo do Algarve preparavam-se para uma semana intensa. Os carros já começavam a ocupar os seus lugares, as equipas ultimavam os preparativos e os jornalistas circulavam entre os candidatos.

Depois chegou o “Louisa”.

A atenção concentrou-se rapidamente no Kimera. Os jornalistas aproximaram-se, observaram os detalhes e reuniram-se à volta do carro. Para quem o tinha acabado de entregar, a curiosidade era evidente: aquele era um dos automóveis que mais queriam experimentar.

Na altura, ainda não sabíamos até onde chegaria. Estávamos ali para disponibilizar o nosso EVO37 e acompanhar os testes. A notícia de que seria eleito o melhor do ano só chegaria cerca de um mês depois.

Um pedido de Itália, uma resposta de Portugal

A participação começou com um contacto da Top Gear à Kimera. A equipa queria incluir o EVO37 na sua avaliação anual, no entanto, a marca não tinha um automóvel de imprensa disponível.

Como os testes decorreriam em Portimão, Luca Betti contactou-nos. A boa relação que temos com a Kimera e a proximidade ao local tornavam o nosso “Louisa” uma possibilidade.

A resposta foi imediata: sim.

Disponibilizar um exemplar nosso para uma produção desta dimensão era uma decisão importante. Conhecíamos o propósito dos testes e sabíamos que o carro seria conduzido com intensidade. Era também uma oportunidade rara de o colocar perante uma equipa com experiência para avaliar aquilo que o torna especial.

Entre 28 de setembro e 3 de outubro de 2025, um membro da Altamontra acompanhou todo o processo no Algarve, juntamente com o Roy, engenheiro da Kimera, para prestar o apoio necessário.

Muito mais do que uma volta rápida

Conhecida durante anos como Speed Week, a avaliação passou, em 2025, a chamar-se Performance Car of the Year. O formato manteve a ambição: reunir alguns dos automóveis mais interessantes do ano, testá-los em pista e levar os finalistas para a estrada, até encontrar um vencedor.

A própria Top Gear explica que a procura ultrapassa o melhor tempo por volta ou a velocidade máxima. O objetivo é identificar um carro capaz de proporcionar uma experiência de condução verdadeiramente especial.

Portimão oferecia o cenário certo para começar. As mudanças de elevação, as curvas exigentes e as zonas de travagem do Autódromo Internacional do Algarve davam aos jornalistas espaço para conhecer o comportamento de cada candidato.

Doze carros iniciaram os testes. Ao fim do terceiro dia, soubemos que o “Louisa” estava entre os cinco escolhidos para a fase final.

Ao seu lado ficaram o Lamborghini Revuelto, o Porsche 911 GT3 RS com preparação Manthey, o Aston Martin Vanquish e o BMW M2 CS. Um grupo que reunia propostas muito diferentes e alguns dos nomes mais fortes do mundo automóvel.

Do outro lado das câmaras

Acompanhar a produção permitiu-nos perceber a dimensão do trabalho por trás das imagens.

A Top Gear tinha uma equipa preparada, planos detalhados e funções bem definidas. Quando chegava o momento de filmar ou testar, cada pessoa sabia o que tinha a fazer. A nossa presença era sobretudo de suporte, disponível para qualquer necessidade relacionada com o carro.

Esse enquadramento deu-nos também a possibilidade de estar em contacto com os apresentadores e jornalistas, observar as suas primeiras reações e acompanhar a forma como iam conhecendo o EVO37.

Houve um momento particularmente difícil de esquecer: ver o Stig entrar no nosso “Louisa”.

É uma figura que faz parte do imaginário de quem cresceu a acompanhar a Top Gear. Encontrá-lo ali, a preparar-se para conduzir um automóvel nosso, tornava a experiência inesperadamente pessoal.

Depois vinha a pista. E com ela, uma mistura de orgulho e nervosismo.

Sabíamos que o carro estava em boas mãos. Sabíamos também que tinha sido criado para oferecer aquela experiência e que a presença do Roy nos dava o apoio técnico necessário. Ainda assim, acompanhar o nosso exemplar a ser explorado ao limite tinha um peso diferente de ver qualquer outro carro numa filmagem.

Uns faróis de outra época

Entre todos os momentos em pista, ficou-nos uma imagem muito concreta.

No meio de designs modernos, asas e soluções aerodinâmicas cada vez mais elaboradas, surgiam os faróis inconfundíveis do “Louisa”. Parecia ter chegado dos anos 1980 para descobrir o que os restantes tinham aprendido entretanto.

A diferença visual era evidente. Mas o Kimera tinha muito mais para mostrar do que a sua silhueta.

No relato dos testes, a Top Gear destacou o envolvimento exigido ao condutor, o equilíbrio e o carácter do motor. Destacou também a resistência do EVO37 ao longo dos dias em pista, sem encontrar as fragilidades que inicialmente receava num projeto desta natureza.

Para nós, era gratificante acompanhar essa descoberta. O carro que conhecíamos estava a ser avaliado num contexto exigente, lado a lado com referências internacionais, e continuava a conquistar atenção depois de sair das boxes.

A notícia que chegou um mês depois

Saber que tínhamos chegado à final já era motivo de satisfação. Não imaginávamos que, entre tantos candidatos de marcas consagradas, o nosso Kimera acabaria por vencer.

A confirmação chegou cerca de um mês depois: o EVO37 tinha sido eleito Top Gear Performance Car of the Year 2025, numa decisão unânime da equipa editorial.

Luca Betti deslocou-se a Inglaterra para receber o prémio. Mais tarde, num gesto de agradecimento pelo nosso apoio, entregou-o à Altamontra.

Esse gesto deu ao troféu um significado ainda mais próximo. Recorda a confiança de Luca ao pedir-nos o carro, o trabalho partilhado durante os testes e a satisfação de termos contribuído para um momento histórico da Kimera.

O título pertence ao EVO37 e a quem o criou. Para nós, fica o orgulho de ter disponibilizado o exemplar que permitiu à Top Gear chegar àquela conclusão.

Tudo começou com um telefonema e uma resposta sem hesitação. Terminou com o nosso “Louisa” escolhido como o melhor do ano.